PAVONEAR
Dia desses assisti um documentário, se bem me lembro no Canal “Animal Planet”, que mostrava as qualidades de várias aves, dentre elas o pavão, ou o senhor Pavão, tratamento que outorgo aqui por sua calda maravilhosa e multicolorida, em verdade, mais apropriada para os dias do “tríduo de Momo” que para as campinas verdejantes onde se contrasta.
DESVANTAGENS DO PAVONEAR
A exuberante calda em forma de leque que tem como finalidade única seduzir a fêmea, é um fator de desvantagem, ao contrário do que possa parecer, pois o destaca aos olhos de seus predadores e lhe inviabiliza a arte de voar, que é a principal característica de uma ave que se preze como tal, mais, dificulta sua defesa por desequilibrar-lhe, tornando-o vulnerável e mais propício para viver em um recinto fechado de zoológico que em seu ambiente natural.
Fantástico! Em nome da perpetuação da espécie o que não faz um macho por uma fêmea?!
Porém, a figura mostra que quem se pavoneia demonstra ter cabeça pequena, escamoteada no meio da beleza das penas da calda, abre seu maravilhoso leque esquecendo que ele tolda a sua visão posterior totalmente deixando-o exposto, anda com dificuldade devido ao peso da armação das alegorias que carrega, é sempre citado como motivo de chacota. Fechando a calda ninguém se detém diante dele, pior, no quesito interesse pessoal tira sempre nota baixa, pois ninguém sabe o que faz o Pavão, tirante o ato de exibir sua calda.
VANTAGEM DE SABER PAVONEAR
O pavão se pavoneia para a fêmea, mostrando-lhe a calda aberta, tendo uma finalidade nobre: perpetuar a espécie, gerar iguais a ele. É sua vocação, ainda que lhe custe a própria vida. Assim segue seu ritual rigorosamente.
O problema está com os que o imitam no pavonear-se, porque para quem e para que o fazem? De quem querem chamar a atenção? Há nobreza em suas intenções? Seguem o rito da natureza que lhes foi outorgado? Estão certos ou errados ao fazê-lo?
Não sei responder! Sei, no entanto, que se quem tem uma bela calda e não se pavoneia dela, esperando que alguém reconheça a sua beleza e peça que a exiba para elogiá-la, verá que o que nem calda tem para exibir, mas sabe se pavonear, o faz de tal forma que acaba por ofuscar e ridicularizar toda a beleza do que a tem, provando que de nada vale uma bela calda para quem não anseia ter ou não quer ter o “talento do Pavão”.
Quem não sabe se vender, eu por exemplo não sei, cuidado, acaba vendido!
Pastorzinho, o senhor fez uma bela conclusão, mas, a rigor, o senhor está agradecendo o fato de ser vendido. Eu acho que não foi isso que o senhor quis dizer.
Cláudio Pinto Pr
MAYZA, O MUNDO QUE CAIU
O diretor Jaime Monjardim que um dia dirigiu a novela pantanal, que colocou em polvorosa e pânico, toda a poderosa máquina noveleira do concorrente, revelou agora uma outra faceta de sua vida ao dirigir a história bibliográfica de sua própria mãe, a célebre cantora Mayza, o que para um filho convenhamos não deve ser fácil.
Um dia cruzei com ele em meus tempos de publicitário e ele nesse tempo buscava financiamento para seus projetos, e me surpreendeu ao dizer que ser filho de gente importante não lhe facilitava as coisas como eu imaginava.
Lembrando-me desse momento resolvi assistir aquela mini-série, confesso que isto é coisa incomum para mim, pois sou avesso a rotina, mas pude descobrir que ele não fez a série para explorar a fama de sua mãe e se locupletar com ela, nem tentou lhe dar uma aura de deusa dos fracos e oprimidos, ou musa dos injustiçados uma vítima do capitalismo selvagem, uma idealista que abriu mão de tudo por sua arte, como é lugar comum. Não em muitos momentos senti que ele era cruel com ela e com sua memória revelando coisas que só um filho magoado, renegado e esquecido, podia extravasar, e que só quem viveu algo semelhante pode entender, pois é fácil nos apiedarmos dos nobres, dos famosos das celebridades, e entendermos os seus dramas e reclamos, pois vivemos de quimeras, mas muito difícil tomarmos conhecimento do rastro de tristeza e destruição que eles deixam em sua caminhada obstinada pelo sucesso, fama e pela chamada realização pessoal, a qual se sobrepõe a qualquer outro afeto e justifica qualquer atitude irracional em nome do chamado “amor a arte”, seja qual for.
Mayza fez parte da minha vida, pois na minha juventude mundana ela ocupava todos os espaços da mídia com seu inegável talento canoro, tributos a ela, porém confesso que o mais importante para mim de toda a mini-série foi o momento dramático da cena do internato onde um filho doente desprezado e carente implorava solitário e até dissimulando um pouquinho de atenção e de amor materno, e recebeu como resposta que se recebesse um beijo de sua mãe em sua face, poderia contaminá-la atrapalhando seus compromissos, e se afastou dele com um solene “tchauzinho” e a declaração inerente ao momento: “saiba que eu te amo meu filho”. Creio que antes de querer contar a história de sua famosa e notável mãe, ele fez essa série para contar a ela e a todos a sua história, o que em vida ele talvez não possa ter feito.
Em busca do sucesso até mesmo os pastores e líderes abandonam a seus filhos e nem se apercebem disso, talvez se nossos filhos pudessem teatralizar as sua vidas como o fez o Jaime Monjardim, nos ficaríamos surpresos com o enredo de nossa própria existência, e veríamos que a nossa biografia como ocorreu a Mayza, não é tão bela e heróica como a princípio concebemos, mas que existem cenas que gostaríamos de eliminar.
Em tempo; no jovem Jaime Monjardim que encontrei, não havia nada espalhafatoso ou que chamasse atenção, nenhum adereço de protesto, nenhuma palavra de rebeldia, mas uma intenção clara de querer se realizar sem usar a fama de sua mãe, ou do pai, o que creio conseguiu, não vi também nenhum sinal de ser evangélico.
Creio que devemos aprender, não com as novelas do mundo, nefastas, mas com as novelas que dia a dia o mundo nos conta, para que possamos um dia trabalhar para transformar o mundo como nos determinou Jesus e não para justificá-lo com a nossa vida e ações, diante de Deus. (Ez 16: 51 e 13)
Cláudio Pinto Pr
MAYZA, O MUNDO QUE CAIU
O diretor Jaime Monjardim que um dia dirigiu a novela pantanal, que colocou em polvorosa e pânico, toda a poderosa máquina noveleira do concorrente, revelou agora uma outra faceta de sua vida ao dirigir a história bibliográfica de sua própria mãe, a célebre cantora Mayza, o que para um filho convenhamos não deve ser fácil.
Um dia cruzei com ele em meus tempos de publicitário e ele nesse tempo buscava financiamento para seus projetos, e me surpreendeu ao dizer que ser filho de gente importante não lhe facilitava as coisas como eu imaginava.
Lembrando-me desse momento resolvi assistir aquela mini-série, confesso que isto é coisa incomum para mim, pois sou avesso a rotina, mas pude descobrir que ele não fez a série para explorar a fama de sua mãe e se locupletar com ela, nem tentou lhe dar uma aura de deusa dos fracos e oprimidos, ou musa dos injustiçados uma vítima do capitalismo selvagem, uma idealista que abriu mão de tudo por sua arte, como é lugar comum. Não em muitos momentos senti que ele era cruel com ela e com sua memória revelando coisas que só um filho magoado, renegado e esquecido, podia extravasar, e que só quem viveu algo semelhante pode entender, pois é fácil nos apiedarmos dos nobres, dos famosos das celebridades, e entendermos os seus dramas e reclamos, pois vivemos de quimeras, mas muito difícil tomarmos conhecimento do rastro de tristeza e destruição que eles deixam em sua caminhada obstinada pelo sucesso, fama e pela chamada realização pessoal, a qual se sobrepõe a qualquer outro afeto e justifica qualquer atitude irracional em nome do chamado “amor a arte”, seja qual for.
Mayza fez parte da minha vida, pois na minha juventude mundana ela ocupava todos os espaços da mídia com seu inegável talento canoro, tributos a ela, porém confesso que o mais importante para mim de toda a mini-série foi o momento dramático da cena do internato onde um filho doente desprezado e carente implorava solitário e até dissimulando um pouquinho de atenção e de amor materno, e recebeu como resposta que se recebesse um beijo de sua mãe em sua face, poderia contaminá-la atrapalhando seus compromissos, e se afastou dele com um solene “tchauzinho” e a declaração inerente ao momento: “saiba que eu te amo meu filho”. Creio que antes de querer contar a história de sua famosa e notável mãe, ele fez essa série para contar a ela e a todos a sua história, o que em vida ele talvez não possa ter feito.
Em busca do sucesso até mesmo os pastores e líderes abandonam a seus filhos e nem se apercebem disso, talvez se nossos filhos pudessem teatralizar as sua vidas como o fez o Jaime Monjardim, nos ficaríamos surpresos com o enredo de nossa própria existência, e veríamos que a nossa biografia como ocorreu a Mayza, não é tão bela e heróica como a princípio concebemos, mas que existem cenas que gostaríamos de eliminar.
Em tempo; no jovem Jaime Monjardim que encontrei, não havia nada espalhafatoso ou que chamasse atenção, nenhum adereço de protesto, nenhuma palavra de rebeldia, mas uma intenção clara de querer se realizar sem usar a fama de sua mãe, ou do pai, o que creio conseguiu, não vi também nenhum sinal de ser evangélico.
Creio que devemos aprender, não com as novelas do mundo, nefastas, mas com as novelas que dia a dia o mundo nos conta, para que possamos um dia trabalhar para transformar o mundo como nos determinou Jesus e não para justificá-lo com a nossa vida e ações, diante de Deus. (Ez 16: 51 e 13)
Cláudio Pinto Pr